Por: Vicent   •   27/06/2015 às 00:04:16
Categoria: Atleta em Foco



Se você já acompanhou nesses últimos 10 anos a São Silvestre, seja participando, correndo, torcendo ou mesmo assistindo pela televisão, já viu a testemunhou a correria de super heróis como o Homem Aranha, Hulk, Transformer, Tartaruga Ninja, não estamos falando de vários, mas apenas de um participante, que todo ano estréia uma nova fantasia na festa da última corrida do ano.

 
Corredor desde 2001, Alexandre Santiago Ramos,39 anos,  engenheiro mecâ;nico, morador de São Caetano do Sul, por sorte tem esposa também corredora. A idéia de correr fantasiado surgiu quando não suportava mais correr nos mesmos percursos:“Sempre participei das provas na cidade, nos últimos anos fiquei cansado da repetição nos trajetos, a maioria das corridas sempre acontecem na região do Ibirapuera ou na USP.” Com o aumento das provas, quase todo final de semana resolveu selecionar. “Para diferenciar mesmo, escolhi as corridas trilheiras, meia maratonas e ultra-maratonas que oferecem mais de dificuldade, quer pelo tipo de trajeto ou pela distâ;ncia.” A corrida preferida de Alexandre é a 10 Milhas Rotary-Asfar, que larga em Paranapiacaba e chega a Ribeirão Pires, 16K pela estrada. “Outra excelente corrida larga em Cubatão e com 7,5Km subida pela estrada velha de Santos é o Desafio da Mata Atlâ;ntica – Me agrada muito essa prova também!”
 
A primeira corrida de Alexandre foi em 2001, quando percebeu que algumas pessoas corriam fantasiadas e que eram as que mais se divertiam, notou que a São Silvestre não é uma corrida para se fazer um bom tempo. “Na SS é o contrário, a sensação de que quanto mais tempo permanecer na prova, mais satisfação terá. É mais uma festa do que uma corrida. Juntei esses sentimentos e decidi então que só correria a São Silvestre fantasiado.”
 
O nosso corredor X faz todas as fantasias, sem patrocínio e conta com ajuda de “ninguém”. Fã de histórias em quadrinhos e de super-heróis, a idéia surgiu em 2002 quando começaram a produzir filmes de super-heróis. “Nós fãs, aguardávamos há anos. Em 2002 foi o Homem Aranha, em 2003 o Hulk, e assim por diante. Então me empolguei com isso e usei como inspiração na hora decidir o personagem da fantasia.” Alexandre utiliza materiais leves, que resistam aos esforços da corrida e não se desfaçam quando molhados. “Basicamente é espuma e tecido.” Durante a confecção ele vai moldando a fantasia no próprio corpo, sob medida. “Faço pedaço por pedaço, vou provando e adicionando mais pedaços, as fantasias ficam prontas apenas poucos dias antes da corrida”. observou.
 
Alexandre nunca treina com as fantasias, “dou apenas uma corridinha pelo quintal de casa e durante a prova corro num ritmo mais lento para ir poupando energia e chegar até o fim.” O engenheiro afirmou que a São Silvestre acabou virando um ponto de referência importante em sua vida. “As pessoas me reconhecem por isso, durante o ano inteiro os amigos dão sugestões e questionam qual será a fantasia da vez?E já virou uma tradição eu não revelar antecipadamente esse "segredo". Para manter o suspense Alexandre divulga apenas umas duas semanas antes da corrida e enviando e-mail para todos com as fotos da fantasia, para ser reconhecido pela televisão.
 
Em 2006 ele foi de Buzz Lightyear, o astronauta do desenho Toy Story, e lembrou: “Foi chuva desde a largada até a chegada.” Em 2007 correu a Tribuna FM, em Santos, a mesma fantasia, e foi debaixo de um sol de rachar. “Essas foram as duas situações extremas que corri fantasiado”. Ele destacou que a pior mesmo foi a São Silvestre de 2008. “Fui de Optimus Prime, o caminhão do filme Transformers, a fantasia era toda articulada e se transformava em um caminhão, continha muita madeira e ficou muito pesada e rígida, uma verdadeira armadura que incomodou no decorrer dos 15Km e dava a sensação que ficava cada vez mais  pesada.” As experiências deram a certeza de que não é o calor que mais incomoda, mas sim a restrição dos movimentos que a fantasia proporcionava.Atualmente Alexandre faz as fantasias pensando no calor, deixa sempre áreas estratégicas para poder transpirar. “O povo reconhece e se diverte,por alguns momentos você é uma celebridade, mesmo anônimo porque ninguém vê meu rosto. É impossível dar um passo sem ter que parar para tirar fotos”. O nosso corredor “X” contou que até a corrida começar seus braços ficam doloridos de tanto fazer pose e acenar. “Com as crianças é especial, naquele momento muitas não te vêem como um cara fantasiado, elas estão realmente falando com o super herói.Essa é a melhor parte!” Alexandre destacou que a fantasia que mais marcou foi a do Hulk. “Até hoje as pessoas se lembram era bem grande, enorme mesmo, realmente algo que não se vê todo dia!”
 
Em seu currículo de atleta não fantasiado ele destacou as ultra maratonas. “Já participei de ultras de 24 horas revezando com amigos e de ultras de 12 horas correndo sozinho. É um bom teste de limite humano. Também considero as corridas de montanha excelentes. Participei nas cidades de Extrema e Paranapiacaba. Depois de uma prova como estas,  qualquer corrida em percurso asfaltado parece um passeio, e as subidas vão ser apenas leves ondulações na pista.”observou.  Como próximo desafio Alexandre fará a Meia Maratona Trilheira de Ribeirão Pires. “Fantasiado mesmo só corro a São Silvestre.” O melhor tempo de Alexandre nos 10Km foi 40:34 em 2006, na corrida Run America Nike 10K. “Só tive o objetivo era chegar na casa dos 40 minutos, quando alcancei parei de me preocupar com o tempo e comecei a me dedicar em aumentar a distâ;ncia e a dificuldade dos percursos.”  Desde a adolescência ele curte bicicleta e mesmo quando começou a correr continuo participando de provas de montain bike, “achei muito perigoso fazer treinos de bicicleta nesse trâ;nsito louco, e acabei me dedicando somente a corrida e as vezes fantasiado..rs.” Concluiu o nosso corredor “X”.
 
por Vicente Sobrinho


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